quarta-feira, 9 de abril de 2014

Sobre a Honestidade...

SOBRE A HONESTIDADE
(Alexander Porahy)


A respeito do rapaz que encontrou os seiscentos reais, pagou os boletos e ainda devolveu o troco para a dona do dinheiro...

A honestidade não deveria causar espanto... A desonestidade, essa sim, deveria deixar as pessoas boquiabertas...

A regra deveria ser esse rapaz, que olhou para aquele dinheiro e deve ter pensado: "Poxa, e se fosse eu que tivesse perdido?"

Acho que é isso que falta para a humanidade: empatia, se colocar no lugar do outro, não fazer aos outros o que você não quer que façam a você, amar ao próximo como a si mesmo...

Seria um mundo tão melhor!

Em contrapartida, vi uma mulher na TV dizendo que não devolveria nada, que a pessoa que perdeu o dinheiro deveria ser mais cuidadosa.

Mas se fosse essa mulher desonesta que tivesse perdido o dinheiro, estaria desesperada, implorando que o devolvessem.

Ou seja, se sou eu o beneficiado, azar do outro que deveria ser mais cuidadoso. Se sou o prejudicado, "Ai, coitadinho de mim! Ai meu Deus, faça com que devolvam meu precioso dinheirinho!".

Triste!

Mais do que dar parabéns ao rapaz honesto que originou este meu post, prefiro dizer que todas as pessoas deveriam ser como ele.

Quem sabe um dia...

segunda-feira, 7 de abril de 2014

O Poeta...

O POETA
(Alexander Porahy)


Não tome como verdade o texto do poeta
Ele pode falar da dor sem senti-la
Pode falar do amor sem estar amando
Pode falar do por do sol sem tê-lo presenciado
Pode falar das mornas águas do mar sem ter molhado seus pés

Um poeta é um observador
E quando fala, pode não ser de si
Pode ser do sorriso da menina que passa
Pode ser do olhar do idoso na praça
Ou talvez do anônimo errante na beira da estrada

O poeta gosta de escrever
E tudo pode se tornar pretexto para texto
Desde as aves no céu
Até a pedra no meio do caminho
Mesmo a xiforínfola corre o risco de virar poesia

O poeta é, antes de mais nada, livre
E essa liberdade lhe permite
Escrever de tudo, falar de tudo
Criar paisagens, mundos, tempos e palavras
Ele pode viajar até as estrelas
Ou simplesmente se enamorar de uma delas

O poeta é tão livre que pode até falar de si!
Embora saiba que a sua vida
Talvez nunca seja tão interessante
Quanto as vidas de suas personagens


Vai e Vem (Essa Dor)...

VAI E VEM (ESSA DOR)
(Alexander Porahy)


Tem época em que dói demais, e parece que essa dor insuportável nunca vai passar...

Tem época em que você está tão feliz que parece que essa dor nunca existiu...

Tem época em que dói, mas você se sente forte o bastante para não deixar essa dor incomodar...

São fases, são épocas, que vão e vêm como as ondas...


terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Camille...

CAMILLE
(Alexander Porahy)


Poesia que não fala de você
São palavras, não mais que palavras

Palavras que falam de você
São poesia, não menos que poesia


domingo, 9 de fevereiro de 2014

Abençoada chuvarada...

ABENÇOADA CHUVARADA
(Alexander Porahy)


Eis que das Mãos Sagradas
Bênçãos são derramadas
Gotas de chuva molhada
Chuva tão desejada,
Tão esperada!

Vá-se sede malvada!

Minh´alma renovada
Já não sedenta, por ora aliviada
Põe o pé na estrada
Prossegue a jornada
Ah, abençoada chuvarada!


sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Tic-Tac...

TIC-TAC
(Alexander Porahy)


Quem nunca foi homem de lata
Não viveu uma paixão ingrata
Viu seu amor em outros braços
Sentimento feito em pedaços
Arrancou o coração do peito
Mundo em branco, cinza e preto
E apesar de tanta desventura
Fez-se nova criatura
Dor transformada em alento
Venta o vento, passa o tempo


terça-feira, 7 de janeiro de 2014

No Ano Novo...

NADA DE NOVO
(Alexander Porahy)


De novo o ano que se incia só tem o nome.

Nada mágico acontece na passagem de 31 de dezembro para 1º de janeiro.

Como nas outras 364 meia-noites ao longo do ano, nossos problemas e angústias não se dispersam como que por encanto.

O que acontece é que ficamos mais esperançosos, e com a família e amigos por perto nos sentimos mais seguros e acolhidos.

Pensamos nas dificuldades vividas, e com toda a sinceridade do nosso coração desejamos que o ano que se inicia seja diferente.

Mas nos dias que se seguem após o Réveillon, somos trazidos de volta à realidade, e acabamos nos decepcionando ao perceber que nada mudou, que todas as pendências permanecem ali, em compasso de espera, aguardando para serem resolvidas.

A vida... Bem, a vida em grande parte do tempo é bem mais ou menos, bem morna.

O que quebra a mesmice são picos de tristezas ou de alegrias, e dependendo da intensidade e um ou de outro, terá valido ou não a pena.

Aliás, essa é uma conclusão que só chegaremos ao final de tudo, e não agora enquanto ainda estamos no meio do caminho.

Cabe a nós tirarmos proveito das lições aprendidas, desfrutarmos dos bons momentos e aproveitá-los para repor as energias e nos prepararmos para as tempestades que, inevitavelmente, virão.

Assim é a vida... Um ganha e perde, um cai e levanta constantes. E está aí para ser vivida.

Afinal, ela não para.

E quando finalmente parar, já não haverá o que e por que falar dela.


quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Haikai 3...

HAIKAI 3
(Alexander Porahy)


Tempestade cai
As aves em seus ninhos
Calor que se vai


Haikai 2...

HAIKAI 2
(Alexander Porahy)


Cálidas águas
Nuvens vagando no céu
Saudando a manhã


Haikai 1...

HAIKAI 1
(Alexander Porahy)


É calor demais
Brisa que não satisfaz
Manhã de verão


Seis Horas...

SEIS HORAS
(Alexander Porahy)


Achei que seria só uma menina
E como eu estava enganado!

Em você a felicidade faz morada
Sua presença a tudo ilumina
Me apresentou um mundo novo
Fez da minha vida um palco
Fez cena e fez canção
Trouxe um novo sentido
Se tornou inspiração

E quando as minhas mãos tocam as suas
E seus olhos castanhos me incendeiam
Ah, eu me esqueço do mundo ao redor
E te amo! Como eu te amo!


terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Mensagem de Ano Novo...

QUE SEJA
(Alexander Porahy)


Que seu Ano seja inspirado...
Como a Bachianinha de Nogueira
Como a poesia de Drummond
Como o violão de Baden

Que seu Ano seja belo...
Como o nascer do sol na praia
Como o céu estrelado na roça
Como a flor que nasce no cerrado

Que seu Ano seja feliz...
Como o abraço de um reencontro
Como um bebê no colo de sua mãe
Como um gato com sua bolinha de lã

Que seu Ano seja prazeroso...
Como um beijo na pessoa amada
Como água fresca em um dia de calor
Como um sábado de sol no Ibira

Que seu Ano seja abençoado...
E compartilhado com quem ama
E repleto de boas possibilidades
E tão bom que deixe saudade



** Link para o áudio no Recanto das Letras **


sábado, 28 de dezembro de 2013

Chelengolenguices...

CHELENGOLENGO
(Alexander Porahy)


Que se dane o significado real das palavras! Importa o que elas me transmitem em forma de sentimento.

Por exemplo... Acabo de ser chamado de chelengolengo.

Não faço a menor ideia do que isso significa, mas traduz exatamente como eu me sinto hoje, neste sábado preguiçoso inter feriados...

Mansinho, malemolente, no ritmo do balanço da rede...

Pra lá... e pra cá...
Pra lá... e pra cá...

Chelen... golengo...
Chelen... golengo...

E do jeito que eu mais gosto, cheio de três pontinhos nos finais das frases...



** Link para o áudio no Recanto das Letras **


Aviso aos navegantes: Áudios dos meus textos...

Depois de tanto tempo escrevendo só agora me caiu a ficha de que a minha página no Recanto das Letras pode ser visitada por algum deficiente visual...

Por isso comecei a passar meus textos para áudio.

É legal, porque além de tornar meus textos acessíveis, vou narrar da maneira como EU os leio, com a entonação que imaginei ao escrevê-los. Afinal, cada leitor tem uma maneira própria de interpretar aquilo que lê.

Dificuldade de pronunciar os erres à parte, só espero não ser muito canastrão, muito mala sem alça como narrador... kkkkkkk

Ah, e à medida que for gravando os áudios atualizarei também o blog, colocando os links nos respectivos textos já publicados aqui.

Se é que alguém vem aqui, além de mim... kkkkkkk

Vai saber... Quem sabe um dia eu corte a orelha, morra e anos depois cheguem à conclusão de que eu era um gênio... kkkkkkk

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Sonho...

MENINA DE ÓCULOS
(Alexander Porahy)


Tão bonitinha você!
Com seus óculos, e por trás deles esses olhos brilhantes e sonhadores.

Tão bom estar com você!
E andar de mãos dadas, depois de tanto tempo sem um amor que pudesse chamar de meu.

Tão bom ouvir você!
Saber dos seus planos, dos seus medos, das suas inquietações e esperanças.

Tão bom acolher você!
E tentar te acalmar, enxugar a lágrima que teima em cair e dizer que estarei sempre contigo.

Tão bom abraçar você!
Bem apertado, e ter medo de apertar demais e quebrar esse corpo magrinho e tão delicado.

Tão bom beijar você!
E beijar muito, e beijar sem pressa, e beijar como se fosse a primeira e a última vez.

Tão bom tocar você!
E me divertir com seus arrepios, e com seu riso de menina que se esqueceu de crescer.

Tão bom sonhar com você!
E ficar triste por acordar, e correr transformar o sonho em poesia para nunca mais esquecer.


terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Maya (Maresia)...

MAYA (MARESIA)
(Alexander Porahy)


Maya dos meus sonhos,
Do meu desejo e fantasia
Maya dos pés descalços,
Da areia, ondas, maresia

Maya do amor ao por-dol-sol
Dos momentos inesquecíveis
Maya do perfume tão suave
Maya dos beijos tão incríveis

Maya da volúpia desmedida
Da carioquice bronzeada
Maya dos castanhos cabelos
E da penugem dourada

Maya dos pelos eriçados
Da pele macia e desnuda
Maya dos tantos arrepios
Da boca pequena e carnuda

Maya dos beijos no pescoço
Das palavras sacanas ao pé do ouvido
Maya é provocante em cada gesto
Maya é desejo me consumindo

Com tantas faces e encantos
Maya torna eterno cada instante
É a dona de meus pensamentos
Maya você é mesmo fascinante!



** Link para o áudio no Recanto das Letras **


quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Experiências são a bagagem do escritor...

FOI PRECISO
(Alexander Porahy)


O que agora é lindo
Já foi desespero

Lembranças...

Se hoje posso escrever
É porque um dia vivi

Mas foi preciso morrer
E pelo deserto vagar
Sem forças, sem rumo
"Há esperança pra mim?"

Só assim aprendi
A me reencontrar
A me reinventar
Pude então renascer
E voltar a viver

Sim, voltei a viver!



** Link para o áudio no Recanto das Letras **


quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Do Latim: Liberdade...

LIBERTAS
(Alexander Porahy)


Por amor

Já perdi o rumo

Perdi o bom senso

Perdi também a razão

Porém hoje o meu por-do-sol

Não depende de ninguém

Posso sentar e admirá-lo

Porque é simplesmente bonito



** Link para o áudio no Recanto das Letras **


E é tanto que sinto...

SINTO MUITO
(Alexander Porahy)


Sinto muito
Sinto tanto
Que nem o pranto
Nem a comida no prato
Nem o sossego de um canto
Nem um pedido ao santo
E nem tanto entretanto
Me traz desencanto

Sinto muito
Sinto tanto
E é tanto que eu quero
Que venero
E espero
E é com tanto esmero
Que bem sei que exagero
Mas o que fazer se é o que eu quero?

Sinto muito
Sinto tanto
Que é difícil entender
A extensão do querer
(Mas começo a entender)

Sinto muito
Sinto tanto
Que preciso aprender
A me libertar, renascer
Para aproveitar o viver



** Link para o áudio no Recanto das Letras **


Coisas antigas (parte 3)...

MARESIA, VENTO, PEDRAS, MAR...
(Alexander Porahy)


Sábado à noite, após um jantarzinho com direito a um vinho suave delicioso, saímos pela cidade de carro, sem rumo, sem pressa.

Uma ótima oportunidade para conversar, abrir o coração, falar sobre passado, presente e futuro, sobre desejos e aspirações.

Da parte dela, possíveis mudanças de rumo visando uma vida profissional mais feliz.

Da minha parte, um desejo quase utópico de um dia morar junto ao mar.

Confesso que não penso muito no futuro. Não me lembro em que ponto da minha vida passei a querer viver mais o presente, sem planos a longo prazo.

Só o que posso dizer é que quando fecho os olhos imagino o vento no rosto, o cheiro de mar, a visão das ondas batendo nas pedras.

Falta de ambição? Conformismo? Excesso de desapego? Quem não concorda comigo, pode me rotular de várias maneiras.

Para mim é apenas um desejo vindo do fundo da alma.


Coisas antigas (parte 2)...

QUATRO ANOS
(Alexander Porahy)


Mais um dia em nossas vidas
Mais uma data para comemorar
Você é tudo que eu poderia desejar

Raio de sol que me ilumina e aquece
Luz radiante que me aponta a direção
Obrigado por me oferecer seu coração

Mulher com jeito de menina
Que me encanta mais e mais a cada dia
Fazer você feliz é minha maior alegria

Quatro anos de amor intenso
Sentimento tão verdadeiro e tão puro
Em você encontrei o meu porto seguro

Eu procurei minha vida inteira
E finalmente cheguei até você
Mulher sem igual, minha razão de viver

Que Deus nos permita ficarmos juntos
E que possamos renovar sempre nosso amor
É o que mais deseja este simples sonhador

Minha amada, mais uma vez obrigado
Por escolher dividir sua vida comigo
Prometo te amar e para sempre ser o seu abrigo


Coisas antigas (parte 1)...

PRECISO DE VOCÊ, MENINA!
(Alexander Porahy)


Obrigado por me permitir
Desfrutar de sua companhia
Pois apenas sua presença
É que transforma o meu dia

É o seu sorriso que me alegra
O seu olhar que me fascina
Confesso, não posso negar
Preciso de você, menina!

Com você as noites frias se aquecem
Se tornam belas noites de luar
E sob um belo céu estrelado
Eu sonho te amar, te amar e te amar

Você tem um jeito de me olhar
Que me faz suspirar, fico até sem jeito
Quem me dera poder ter você agora
Aqui, toda dengosa, encostada em meu peito

Ah, doce menina, que cresceu e permaneceu criança
Como fez com que eu me apaixonasse assim?
Permita que eu para sempre a tenha em meus braços
Faça de mim o mais feliz dos homens, por favor diga sim

Quero ser seu homem, e fazer de você minha mulher
Que o bondoso Pai do Céu me conceda essa graça
Até posso viver sem você, mas a questão é que não quero
Porque a vida sem você não faz sentido, ela simplesmente passa


domingo, 15 de dezembro de 2013

Bocas e Beijos...

CRÔNICA EM DOIS TEMPOS (BOCAS E BEIJOS)
(Alexander Porahy)


PRIMEIRO TEMPO - OS BUMBUNS QUE ME PERDOEM...

... mas para mim sexy mesmo é boca!

Bocas possuem arquiteturas ousadas, fascinantes... Pequenos detalhes que fazem toda a diferença e tornam única cada boca.

Algumas possuem voltinhas nos cantos. Outras, formato de M, praticamente uma Apoteose!

Se vierem acompanhadas de covinhas, ótimo!

E de dentes ligeiramente desalinhados, melhor ainda!

Amo boca, e amo passear por seus contornos. Sou mais feliz em suas curvas, que nas da Rio-Santos...

Boca é para ser apreciada sem pressa, é para ser degustada, desfrutada sem moderação...

Boca é democrática, pode ser bela em donas mais cheinhas ou magrinhas, branquinhas ou moreninhas, japinhas ou mulatinhas.

Boca fascina quando sorri, comove quando faz beicinho e enlouquece quando provoca.

É a mais bela e sugestiva parte do corpo. E para a felicidade dos apreciadores como eu, está sempre desnuda.

Bocas merecem homenagens, merecem poesias, merecem canções...

E não dá para falar de boca, sem falar de beijo.

Ah, o beijo!

Em um bom beijo nós podemos transcender.

E bons beijos ficam marcados para sempre.

.....

SEGUNDO TEMPO - PRIMEIROS BEIJOS...

Meu primeiro beijo foi brincando de salada mista, e eu não queria dar. Nada contra a guria, ela até que era jeitosa, mas eu sempre fui romântico e com ela não rolava sentimento. Então, enquanto ela estava vindo, eu já estava voltando...

Meu primeiro beijo apaixonado teve direito a pegadinha no queixo dela, e esta sim eu não queria mais parar de beijar...

Houve também um primeiro beijo que era para ser só selinho, mas teve pontinha de língua e durou uns trinta segundos. Existe selinho de trinta segundos? Fizemos de conta que sim.

A primeira boca com aparelho que beijei foi tão especial que até hoje fecho os olhos e lembro de sua dona. Lembro também das pernas dela, mas essa é outra história...

Como também é outra história o primeiro beijo dado numa quase estranha, alguém que conheci na rodoviária voltando de Trindade. Estilo riponga, com cabelos negros cacheados, que curtia Elis Regina, amava casquinha de siri e acreditava em disco voador. Tão maluca quanto inesquecível...

Ah, os beijos improváveis...

Por questões geográficas, quase todas as bocas que beijei eram paulistas. Mas houve uma primeira vez com uma boca carioca que foi muito especial. Talvez por causa daquele sotaque cheio de "shis" e daquele sorriso sem igual...

Primeiros beijos... Como geram expectativas! Como geram lembranças!

Quem dera tivesse cuidado para que cada beijo fosse como o primeiro...

Talvez assim nunca houvesse dado um último beijo em alguém.


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Me digam: Faz sentido?

SEM SENTIDO
(Alexander Porahy)


Por seu amor
Rolei ribanceira abaixo
Me quebrei, me estrupiei
Quem viu diz que deu dó
E ainda se pergunta: como pode alguém amar assim?
É que pra quem faz verso
A dor é necessária
Ensina, inspira
A gente despiroca
A mente pira
O mundo gira
Amor faz perder os sentidos
E não faz sentido
É apenas sentido



** Link para o áudio no Recanto das Letras **


terça-feira, 26 de novembro de 2013

Ser poeta é assim...

O ÚLTIMO TEXTO DO ANO (OU AS PROMESSAS DE UM POETA)
(Alexander Porahy)


Noite de pós-festa, o Natal deixou suas luzes coloridas, sono acumulado e deliciosas rabanadas.

Meia-luz e silêncio na casa. O único movimento é o das mãos sujas de açúcar e canela do poeta enquanto desliza a ponta do lápis pelo papel (ele prefere o lápis à caneta).

Típico costume desta época, ele faz sua lista de resoluções para o novo ano.

Promete não se forçar a fazer exercício...

Porque não são as flexões, mas as reflexões que interessam ao poeta.

Promete não se preocupar em dormir cedo ou tarde...

Porque é acordado que sonha o poeta.

Promete não ter medo do ridículo...

Porque o ridículo impõe limites ao poeta.

Promete não beber...

Porque basta sentimento para embriagar o poeta.

Promete deixar o carro em casa mais vezes e passar a caminhar...

Porque o brilho do sol, o frescor da chuva e o vento no rosto refrigeram a alma do poeta.

Promete comer menos frituras e mais frutas, porque as frutas o fazem lembrar de sua infância, quando subia nos pés de amora e de ameixa e lá se esbaldava...

E boas lembranças alimentam o espírito do poeta.

Promete dar mais valor às coisas simples...

Porque as pequenas coisas tornam grande o poeta.

Promete no próximo ano se apaixonar algumas vezes, e ter seu coração partido em todas elas, e morrer por dentro, para transformar em prosa e verso sua dor...

Porque ainda que morra o amante, vive o poeta.

Enfim, no próximo ano promete simplesmente viver...

Porque cabe ao poeta viver e fazer da vida poesia.

Pequena pausa.

Enquanto aponta o lápis e come rabanada, pensa em como são belas as luzes da árvore de Natal...


domingo, 24 de novembro de 2013

Inspirado...

VOCÊ MERECE POESIA
(Alexander Porahy)


Seu olhar merece poesia
Seu sorriso merece poesia
Suas sardas, suas pintinhas,
Seus pelos dourados merecem poesia

A sombra embaixo dos seus olhos
Merece poesia
Suas unhas e sua boca cor de uva
Merecem poesia
Sua franja e a fita em seu cabelo
Merecem poesia

O bronze de sua pele,
A rosa no seu braço,
As bochechas coradas
E até o perfume que não posso sentir
Merecem poesia

Os beijos que não serão dados,
Os momentos não compartilhados,
Os sonhos não sonhados,
Mesmo eles merecem poesia

Não necessito de muito
(Sua distante presença)
Não peço quase nada
(Sua mera existência)

E ainda que não saiba que me inspira
Eu me permito esta ousadia
E faço de você minha poesia


Pré-conceitos...

PRETA E BRANCA
(Alexander Porahy)


- O que você pensa que está fazendo?

- Ué, estou comendo pipoca.

- Mas... Você é uma galinha! Uma galinha preta!

- Puxa, até que para alguém que tem cérebro de passarinho você é bem esperta! E não é daltônica! Está realmente de parabéns!

- Deixe de ironias. Seu lugar não é aqui nesta praça.

- Ah, tá. Vai me dizer que eu deveria estar numa macumba. Você é tão óbvia com seus estereótipos!

- Não sou óbvia. O bicho homem nos designou papeis. Estou apenas desempenhando o meu. Você deveria fazer o mesmo.

- E qual o seu papel, que mal eu lhe pergunte?

- Ora, sou uma pomba linda, fofa e branca. Represento a paz.

- Logo se vê que não representa a modéstia. Só que por baixo de nossas penas somos todas iguais.

- Não queira se comparar a mim. Sou um animal nobre. Posso voar, como os anjos!

- Quer falar de nobreza? Enquanto eu alimento os homens, você faz cocô em suas cabeças! É mesmo um gesto muito nobre!

- Agora quem está estereotipando é você. Nem toda pomba faz isso. Aliás, por causa de umas poucas, todas acabamos por ficar com a reputação mais suja do que pau de galinheiro. Haha! Entendeu a piada? Pau de galinheiro... Essa foi demais!

- Meeeu Deus! Melhor você continuar representando a paz, porque se depender de fazer piada... hehehe

- Só rindo mesmo... E então, a que conclusão chegamos?

- Ah, acho que no fundo todos nós temos nossos preconceitos. Talvez tenhamos nos aproximado demais desse tal de bicho homem.

- Pode ser. Mas você há de convir que a pipoca deles é uma delícia...

- Ô se é! E por falar em pipoca, está na hora de voltar pro galinheiro. Até porque a velhinha que jogava as pipocas foi embora faz tempo.

- Também me vou. Vá pela sombra, galinha preta!

- E você fique na paz, pombinha branca!

E lá se vai a galinha preta pela estrada rumo ao sítio onde mora, pensando no quanto tinha sido boba em rotular a pomba branca. No fundo esta era uma boa pessoa, ou melhor, uma boa ave.

De repente, não mais que de repente, a galinha preta recebe uma rajada de cocô em sua cabeça.

Desnorteada, tudo que ela consegue distinguir nesse momento é a gargalhada sádica de uma certa pombinha branca...

sábado, 23 de novembro de 2013

Brincadeirinha...

DOLORES
(Alejandro Puerahy)


Dolores, ah Dolores...
Mas do que nunca estas presiente em mi bida.
Desde mi cabieça, passando por mi pescueço, cuestas, barriega...
Só no eres mas presiente porque abajo de mi umbiego no sinto nadie.

Ah Dolores, Dolores...
iDejame Dolores!

#UmMinutoDeSilêncioPelaMorteDoEspanhol

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Muito Bom É Te Ver!

MUITO BOM É TE VER!
(Alexander Porahy)


Preciso dizer,
Falar, escrever,
Se for feliz, descrever
Tão grata visão
Fonte de inspiração

Eu estava em meu canto
Quando, como que por encanto
E sem pedir licença
Luz em forma de sorriso
Alumiou, clareou, iluminou,
Transformou o escritor
Em secreto admirador

Olhar castanho cativante,
Fascinante, faiscante
Dizem tudo, não necessitam palavras,
Essas duas bolinhas brilhantes

Sobrancelhas grossas,
Longos e lisos cabelos
Emolduram
O rosto perfeito

Atitude e alegria
Presença que contagia
E torna
Mais leve o viver

Bom é te ver,
Ainda que distante,
Ainda que em segredo,
Ainda que não deva dizer,
Muito bom é te ver!


Deficiente?

O DEFICIENTE (?)
(Alexander Porahy)


O deficiente (?)
É uma pessoa normal
E como pessoa normal
Tem o direito de ser

Tem o direito
De errar e acertar,
De cair, levantar,
Ir pra lá, vir pra cá,
De amar, de sofrer,
De sorrir e chorar,
De ganhar, de perder,
De sonhar, de realizar,
E, principalmente,
Viver!